terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Embraer amplia atuação para reduzir risco

AW 101


A criação de uma joint venture entre a Embraer e a companhia de helicópteros AgustaWestland, controlada pelo grupo italiano Finmceccanica, anunciada ontem, é mais uma demonstração do plano estratégico de diversificação de atividades da fabricante brasileira.

A empresa quer expandir seus negócios e reduzir o risco no segmento de aviação comercial, que tem diminuído sua participação na receita global da companhia. Em 2012, o backlog da companhia (número de pedidos firmes) registrou o menor nível desde 2005, com US$ 12,5 bilhões.

A política de diversificação teve início em dezembro de 2010, com a criação da Embraer Defesa e Segurança, e foi sendo ampliada com os novos negócios nessa área, como o novo avião KC-390, radares, sistemas de defesa, veículos aéreos não tripulados e satélites. Para colocar em prática os novos projetos, a Embraer adquiriu participação nas empresas OrbiSat, Atech e AEL Sistemas. Esta última, controlada pelo grupo israelense Elbit.

"A diversificação de atividades é um caminho natural dentro do processo de crescimento da companhia em outras áreas. O objetivo final de tudo isso é a expansão da área de atuação da Embraer, hoje bastante focada na aviação comercial", disse um executivo da empresa. A criação de novos produtos para a aviação executiva (Legacy 450 e 500), a retomada da produção de jatos executivos na China e a abertura de duas fábricas em Portugal, segundo ele, também integram as ações de expansão dos negócios da Embraer no mundo.

O acordo entre a fabricante brasileira e a AgustaWestland, segundo informou a Embraer, pode levar à produção dos helicópteros da marca italiana no país, tanto para o mercado comercial quanto militar no Brasil e na América Latina.

Segundo uma fonte ouvida pelo Valor, um dos focos da nova empresa são os mercados militar e de segurança pública, hoje dominado pela Helibras, fabricante de helicópteros no Brasil e controlada pelo grupo francês Eurocopter.
A 129
Entre os negócios que chamam a atenção dos fabricantes de helicópteros atualmente é a concorrência da Marinha brasileira, que prevê a aquisição de 24 helicópteros multimissão para substituir a sua frota de Esquilo até 2015. Segundo o Valor apurou, a Marinha já enviou os pedidos de proposta para as empresas interessadas.

Há 35 anos no Brasil, a Helibras detém a liderança em todos os mercados onde atua, sendo 80% no segmento de segurança pública, 66% no militar e 48% no mercado civil. O presidente da empresa, Eduardo Marson, disse que não teme a concorrência, pois não é fácil chegar ao estágio em que se encontra a Helibras hoje, com mais de 700 helicópteros produzidos no Brasil, inclusive com alto valor agregado, como o modelo EC 725, que está sendo fornecido para as Forças Armadas.

"Competição é competição, mas esperamos que as regras sejam válidas para todos. O valor agregado dos nossos helicópteros é medido pelo BNDES ", afirmou Marson, referindo-se ao projeto de nacionalização do 725.

A decisão da Embraer de entrar no mercado de helicópteros, segundo o executivo, não afeta os planos da Helibras de continuar investindo no Brasil e muito menos de prosseguir com o projeto de um centro de engenharia que vai permitir ao país projetar um helicóptero nos próximos seis anos.

A Helibras investiu R$ 420 milhões na construção de uma nova fábrica em Itajubá (MG) para atender à produção de helicópteros para as Forças Armadas Brasileiras e também para a modernização da frota de helicópteros do Exército. O número de funcionários será multiplicado por quatro e em 2015 chegará a mil.

Questionada sobre a escolha da AgustaWestland para fazer uma parceria na área de helicópteros, a Embraer informou que "está sempre avaliando oportunidades na indústria aeronáutica que incluam também a transferência de tecnologia, e entende que há oportunidades no Brasil e na América Latina para os produtos AW".

A empresa comentou ainda que considera a AgustaWestland uma parceira confiável, com uma série moderna e abrangente de produtos, tecnologia e soluções para atender às diversas exigências de toda a região.

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