sábado, 19 de outubro de 2013

Governo de São Paulo anuncia novo plano de carreira para Policiais militares

Polícia Militar de São Paulo


Os policiais militares paulistas contam com novo plano de carreira. Com a medida, 27 mil oficiais serão promovidos, e até abril de 2014, 21 mil deles passarão de soldados para cabos. A medida acelera as promoções da base, principalmente de cabos e soldados.

"É muito justa a valorização de uma corporação que é o orgulho de São Paulo, procurando estimular e valorizar a carreira, as promoções e fortalecer o policiamento na rua", disse o governador Geraldo Alckmin nesta segunda-feira, 14, durante o anúncio do plano que reduzirá, em média, o tempo de promoção de 20 para 13 anos.

Entre as medidas que serão encaminhadas para aprovação na Assembleia Legislativa estão o aumento da diária alimentação, que poderá chegar a R$ 581, a contratação de cinco mil oficiais administrativos concursados para substituição de soldados temporários e a diária especial, que é a remuneração do policial durante sua a folga quando houver necessidade.

A medida ainda inclui a promoção ao posto imediato aos aposentados que não haviam sido beneficiados entre os anos de 1991 e 2011. Se aprovadas, as mudanças - que terão um esforço anualizado de R$ 415 milhões - podem proporcionar ao Policial Militar um aumento total de até 25%.

PMs de SP chamam pacote de Alckmin de 'saco de maldades' e ameaçam greve




Cerca de 150 manifestantes, principalmente policiais militares, reuniram-se em uma manifestação na manhã desta terça-feira, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, zona sul de São Paulo. O protesto foi realizado mesmo após um anúncio de reajuste a PMs feito na segunda-feira pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A manifestação, liderada pelo deputado estadual Major Olímpio Gomes (PDT), reivindicou melhores salários e condições de trabalho à categoria e chamou o pacote anunciado por Alckmin de "saco de maldades".

Alckmin definiu mudanças no plano de carreira aos PMs, acelerando as promoções, e a ampliação de benefícios - que, somados ao já anunciado aumento salarial de 7%, gerariam um reajuste de até 24% para a categoria. As medidas, entretanto, dependem de aprovação da Assembleia Legislativa de São Paulo. Apesar do anúncio, as medidas não deixaram a categoria satisfeita.

Os manifestantes se reuniram na praça Vinicius de Moraes, na avenida Giovani Gronchi, por volta das 10h e se dirigiram para a avenida Morumbi, onde se instalaram em frente a um dos portões do Palácio dos Bandeirantes. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo precisou interromper o trânsito no local.

"O que foi anunciado como um pacote de benefício, nós estamos chamando de um saco de maldades. O pleito das entidades representativas de policiais era exatamente 15% esse ano e 10% ano que vem. O governo, para não sinalizar com nada esse ano em relação a salários, fez esse anúncio, que ainda não é um projeto, dando certa fluidez nas carreiras", afirmou o deputado Major Olímpio.

Os policiais disseram que não são contra a fluidez de carreira dentro da PM, mas reclamam de o governo de São Paulo ter ignorado os pedidos da classe. "As entidades mostraram total desconforto. O governo pediu 14 dias para dar uma resposta em relação à política salarial. O governo faz esse remendo de contemplação falando em política de carreira. Ninguém é contrário a isso, mas desconsiderar completamente o inativo, estamos lembrando que temos 94 mil inativos. Dois terços da população não serão contemplados com nada nesse momento", disse Olímpio.

O deputado afirmou que há chance de greve da categoria. Segundo Olímpio, se os pedidos da classe não forem atendidos, é possível que haja uma paralisação.

"Não estamos fazendo nenhuma ameaça. Isso não é do comportamento da Polícia Militar. Queremos que tratem com dignidade. A situação é de fome, de dor, é extremamente critica. Queremos salários dignos", disse. "Quando se fala em 7%, você faz o cálculo, implica no salário real de 1,38%. É esse o sentimento de indignação. É só perguntar para qualquer soldado de polícia, em qualquer atividade. Fomos enganados. É a marcha dos enganados. Esse é o sentimento que está no coração do policial. Se o governo não tomar uma atitude minimamente descente, nos podemos ter um recrudescimento das nações e reviver em São Paulo o que se passou há 51 anos."

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